Arquivo

Monthly Archives: Novembro 2011

Olha só! Ganhei um prémio!
Pena que era só de mentirinha… e amanhã terei que devolvê-lo a quem o mereceu mas não pode comparecer na entrega.

Anúncios

Se um estrangeiro for ao Alentejo, tira uma foto aos carregamentos de melões, com pano de fundo de planícies e sobreiros. E eu, estrangeira em São Paulo, tiro às melancias a vender na estrada, entre semáforos, orelhões e mulheres-tabuleta.

Mais duas expressões que acho muito boas.
Se achar, estar convencida de alguma coisa, achar que se é tudo isso. É uma expressão muito literal, e é por isso que gosto dela. Parece-me que dispensa explicações.
«Cheguei!» é bem expressivo também – inusitado é o uso. Podemos perguntar-nos, por exemplo, se fazer uma capa de um livro em amarelo fluorescente é demasiado «cheguei!», ou comentar que aquele mini-vestido é completamente «cheguei!». Diz-se daquelas coisas que, quando aparecem à nossa frente, fazem-no com uma exclamação.

Ultimamente, notei que me falhou a memória para uma série de detalhes —onde foi que pus aquele papel? como se chamava mesmo aquele filme? — coisas pequenas que em nada me preocupam. Mas, em questões de memória, tem-me preocupado sim conseguir ter a certeza de que haja coisas de que não me vou esquecer, que elas estejam presentes na minha memória, que fiquem por cá, e que me incomodem de vez em quando, que me apareçam em casa mesmo sem avisar. Que me surpreendam num outro lugar qualquer. Que cresçam comigo, que me acompanhem. Como ter a certeza, por exemplo,  de que nunca me vou esquecer da impressão que me causou estar a olhar para a estação de metrô Sumaré, enquanto caminhava num viaduto elevado que cruzava um outro lá por baixo, as luzes dos prédios que infintamente se estendem a toda a volta, e o metro, chegando, num outro viaduto elevado em frente ao meu, uma espécie de ponte envidraçada. Eu, no meio daquela geometria ortogonal urbana, deixando que o espanto entrasse em mim, e tentando domesticá-lo e retê-lo. Bastará, para isso, escrever? Ou, agora que o escrevi, lembrarei melhor estas palavras do que a sensação em si, infinitamente maior do que elas? E fotografar, serve de alguma coisa? Sendo a fotografia um meio mais objectivo e mais estático, corre ainda mais o risco de deixar fugir o essencial. Mas talvez uma coisa puxe a outra, e as memórias precisem apenas de uma chave. Não de serem transportadas até à entrada, mas apenas de serem chamadas com um toque, um borrão, uma estrela, uma faísca, uma sombra. E esperemos que isso seja o suficiente.