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Monthly Archives: Janeiro 2012

A minha nova rua no seu esplendor brasileiro: o verde exuberante, o caos arquitetónico que vem de se ser uma cidade vivida, o sol e as nuvens revezando-se, e tipografia instalada na cidade susurrando pela rua fora uma benção.

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«Enfim, enfim quebrara-se realmente o meu invólucro, e sem limite eu era. Por não ser, era. Até ao fim daquilo que eu não era, eu era. O que não sou eu, eu sou. Tudo estará em mim, se eu não for; pois ‘eu’ é apenas um dos espasmos instantâneos do mundo.

Minha vida não tem sentido apenas humano, é muito maior – é tão maior que, em relação ao humano, não tem sentido. Da organização geral que era maior que eu, eu só havia até então percebido os fragmentos. Mas agora, eu era muito menos que humana – e só realizaria o meu destino especificamente humano se me entregasse, como estava me entregando, ao que já não era eu, ao que já é inumano.

E entregando-me com a confiança de pertencer ao desconhecido. Pois só posso rezar ao que não conheço. E só posso amar à evidência desconhecida das coisas, e só me posso agregar ao que desconheço. Só esta é que é uma entrega real.»

Clarice Lispector, in A Paixão Segundo G. H.

Memórias do espetáculo Sombras no SESC Pinheiros. Uma peça tripeira (embora infelizmente os actores não tivessem sotaque), uma boa introdução à cultura e os arquétipos portugueses.

Ney Matogrosso em concerto na Praça da República, no 458º aniversário da cidade.
Quando eu tiver 70 anos, como ele tem hoje, quero estar em metade da forma que ele está, acho que já será suficiente.